Enquanto o álbum anterior Asilo Arkham ficava cada vez mais para trás e sem um término oficial pela falta de tempo do meu irmão, parceiro em todas as minhas gravações até então, comecei a tentar fazer músicas por conta própria. O principal problema: não toco nenhum instrumento e precisei programar tudo. Ainda em 2006, fiz "Entre a máquina e a massa" e boa parte de "Doze" (feita para a minha esposa, então ainda minha noiva), mas nada que fosse levado a sério ou adiante. Na virada de 2006 para 2007 fiz "Blues de pai Joaquim", colocando em prática uma idéia que já acalentava há tempos: juntar um ponto de umbanda com blues, criando uma espécie de lamento, de work song de um escravo. Com as boas críticas recebidas no site Overmundo, veio a força para continuar e criar um álbum inteiro. As músicas foram saindo e comecei a criar um conceito para o álbum, as tais Aventuras e desventuras do Cavalleiro do Lago. Esse conceito nem sempre fica claro pelo álbum, mas é o que menos importa.
Aos poucos, as outras músicas foram sendo criadas, com o tempo que eu tinha disponível. "Vegetais", uma das minhas preferidas, era antiga: existe uma versão ainda mais bizarra, de 2005, acho, nunca lançada, com quase nenhum acompanhamento instrumental, mas de onde vieram alguns dos diálogos e sons da versão recriada. Foi inspirada em músicas dos Beach Boys (fase Smile) e Beatles. "Salve o cavaleiro" e "São Jorge matou o dragão" foram inspiradas por Jorge Ben, mas com meus toques estranhos.
Em setembro de 2007, 18 músicas depois, fiz a arte e lancei meu primeiro álbum solo. Estranho, experimental, diferente, um caldeirão de influências, "alguma coisa nova", totalmente gravado em casa.