A ChuvaAlbum artwork#12 this week

Album Rádio Pirata vom Künstler Landfill

über diesen Track

  • Tags: experimental
  • Dauer: 4:55
  • Veröffentlicht: 30/08/2009
  • Country: Portugal - Cabeção

Credits des Stückes "A Chuva"

  • Daniel Catarino: Autor, Komponist.

Liedtexte

A Chuva É a chuva que nos bate sobre a cabeça No eterno precipitar de aurora No faminto deslocar de emoções para outro fora de nós Sacudir as chamas vazias do eco que paira no ar Passar a língua pelas mãos, sentir que… enfim… já não demora E no crepitar da chama de uma lareira – dormitar, meia hora Enterrados estão os mortos no nascer do dia Espalhados em campas por esses campos fora Sentir a alegria no abismo da alma Que é fina a fronteira entre o vazio e a calma Torna-se claro passado algum tempo Que somos mais do que aquilo que sabemos E que sabemos nós? É o nervoso que te dá o arrepio No transbordar das emoções mais lúcidas No respirar de manhãs escuras e chuvosas Onde o mar se revolta na praia Onde o céu não se acende no escuro E são esses momentos que deslocam o universo Colocam-te mais perto daquilo que sentes Que o sentimento remói o destino com mãos de menino mimado Pisas o chão sagrado com os pés meio dormentes Que a terra está fria – o corpo não está habituado Segundo novas informações do meu corpo, não sou quem deveria ser Estou no lugar de outro alguém, com as mãos encostadas à parede E no meio da fome e da sede, não há corpo que não transborde de emoção Os pensamentos vão escoando de mão em mão Pelas ruas de cidades tempestuosas Pelos abrigos onde se escondem magotes de gente molhada Cabelo escorrido, olhos brilhantes, pés assentes na terra Do outro lado do mundo eclode nova guerra A de homens que lutam pelo ouro irmão Pela chuva que cai neste chão, nesta casa, nesta terra E todos os tesouros que ela encerra Na dignidade de uma rocha porosa espetada em cima de uma montanha onde não chegam senão os pássaros Rivais eternos num majestoso ritual de acasalamento Fêmea por cima, macho por baixo Que cada um serve para o que for São estes os ferros marcados do amor Torna-se claro passado algum tempo que estamos deslocados de nós próprios À deriva na imensidão de um mar salgado, esqueço-me agora de quem fui De quem era ou queria ser As palavras ocas que costumava soltar ao vento As lágrimas moles e vazias onde flutuam tristezas e alegrias Sacos rotos e diamantes Minúsculos duendes e gigantes Adivinhos de sangue mole e venenoso Adamastores de alcatrão sujo e viscoso Por onde nadamos com a dificuldade natural de quem nasceu para ser forte Para resistir ao vento e ao frio No meio da imensidão sepulcral de um desfeito navio Mas nunca ao abismo incontornável de uma água turva No fim de contas, sentir como nos batem nos pés As minúsculas gotas de chuva Words & Music: Daniel Catarino

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